domingo, 31 de janeiro de 2010

“O poeta goza o inigualável privilégio de poder ser, conforme queira, ele mesmo ou qualquer outro. Como almas errantes que buscam um corpo, penetra, quando lhe apraz, a personagem de qualquer umPara o poeta,tudo está aberto e disponível; se alguns espaços lhe parecem fechados, é porque aos seus olhos não valem a pena serem inspecionados”*.
Baudelaire, Charles.
Pequenos poemas em prosa.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1983: 52

Tentando fazer crítica

Depois de alguns dias sem muita paciência para os estudos por causa de uma virose (nomezinho passe par tout!), estou de volta, tentando dar continuidade aos estudos sobre crítica benjaminiana. Daqui a pouco eu volto com algum resultado. Melhor, com a experiência.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Improdutividade

Estou meio resfriada. Isso me rendeu uma péssima improdutividade hoje. Nem ler consegui. Só agora à noite me senti melhor e deu pra rever pelo menos o que escrevi ontem.
Mas amanhã é outro dia...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Orientações

Depois de tanto quebrar a cabeça sozinha, resolvi pedir a ajuda do professor para desatar meus nós de ideias. Encontrei com ele ontem e foi muito proveitoso. Foi realmente uma orientação. Acho que agora sai esse bendito trabalho, e não somente esse, mas os outros também. Vou copiar aqui os meus apontamentos só para não perder o hábito e para me ajudar a refletir ainda um pouco mais sobre o assunto.
Teor da obra de arte -
informativo (que não promove a reflexão) X reflexivo
Comentário (que informa) X crítica (que reflete)

A obra de arte é criticável por ter substrato simbólico. Ela [a obra] não pode estar incondicionalmente relacionada ao seu contexto histórico pois este é apenas o seu teor material [coisal].

Conteúdo de verdade X conteúdo material
Sublime X material

Trazer a crítica para o presente. argumentar a partir da forma.

Simplicidade da forma X complexidade do conteúdo
paralelo forma/conteúdo
tensão mulher/sociedade

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

MICHEL BIRON – SOCIOCRITIQUE ET POÉSIE

Hoje retomei as leituras para fazer os trabalhos do mestrado. Faltam só 42 e são 4 monografias.

Não entendi muito bem o que Sartre quis dizer com "engagé", mas passei meio por cima disso e fui procurando algo que me pudesse ser mais útil na monografia que tenho que fazer. Por falar nisso, preciso reler os contos que selecionei para analisar nestes trabalhos e enfim definir o que vou fazer em cada um deles.
Aqui vão algumas notas da leitura de hoje:

p.13: “o discurso poético encontra também outros discursos, mas os traços desta relação desaparecem”

“naturalmente [escreve Baktin] o discurso poético também é social, mas as formas poéticas refletem processos sociais mais duráveis, ‘tendências seculares’, por assim dizer, da vida social” à ancrage Du texte poetique dans La ‘grande temporalité”

p.15: para Adorno, a autonomia da arte é a condição pela qual o artista ou escritor acede a realidade social decantada de suas ideologias.

O poema mais obscuro revela, por seu desprezo pelo mundo da comunicação ordinária, uma oposição a sociedade mercantilista e reificada.

p. 16: campo literário

p. 17: constatação dos críticos citados: “a poesia moderna participa de um processo de autonomia da literatura que não resolve o problema teórico de sua leitura social.”

Adorno, Sartre, Barthes à “avalizaram o principio de autonomia progressiva da poesia moderna, mas fizeram apenas alguns pontos de sutura que ligaram ao social, pressupondo que a modernidade se define essencialmente por sua negatividade crescente”.

p.18: WB à a autonomia moderna implica a perda da aura da obra poética e a passagem de uma contato com o mundo do tipo anagogique [místico, contemplativo, simbólico, espiritual] à uma relação analógica [ de analogia] [...] segundo sua formula, “a era da rep. Téc” não ameaça a função critica do escritor, mas ao contrario lhe oferece uma chance de ‘penetrar na massa”.

p.19-20: “o poeta circula no mundo em que encontra objetos e seres, mas sobretudo muitas palavras. Se ele não tem affaire direto com a sociedade, ele não pode proceder senão emprestando-lhe seus discursos e suas ideologias para traficá-las em seguida em múltiplas figuras alegóricas e retóricas aos fins poéticos”.

p.23: “todo texto, por mais fechado que seja em si mesmo, deixa transparecer os traços de sua enunciação [de seu contexto]”

p. 24: “toda leitura social da poesia se elabora sobre as ruínas das grandes dicotomias tradicionais entre o poético e o prosaico, a estética e a ideologia, a autonomia e a heteronomia ou a forma e o conteúdo.”